
Assinala-se hoje, 21 de fevereiro, o Dia Internacional da Língua Materna. Foi proclamado pela Conferência Geral da UNESCO em novembro de 1999.
A conjuntura atual não é das melhores, todos sabemos. A revolta popular avoluma-se e, cada vez mais, se vai traduzindo em manifestações e protestos. Frases de ordem são proferidas: “A luta continua, governo para a rua!”. Muitos sentem-se ultrajados pela forma como as privatizações afetam o património português, como as manifestações artísticas são travadas pelos cortes orçamentais… Porém, nem todos se apercebem de que o património português a que muitos se referem é a nossa língua! A nossa cultura, as nossas tradições, a nossa arte… Todas assentam na mesma base: a nossa língua!
A riqueza do nosso património consiste não só na sua preservação, mas também na sua diversidade. Desde o sotaque do norte ao micaelense, passando pela norma padrão do centro do país, é absolutamente delicioso observar as suas variantes e o modo como elas (não) interferem na comunicação.
Todavia, não nos esqueçamos de um “pormaior”: a língua oral pode ser regionalista, mas a escrita obedece a regras nacionais. Portanto, não deixemos que a avidez de velocidade numa sociedade que não tem tempo a perder maltrate o nosso património. Não deixemos que as mensagens instantâneas e as redes sociais desfiram golpes mortíferos na nossa língua. Respeitemos o nosso património. Afinal é ele que nos confere parte da nossa identidade.
Se não fossem as letras, como poderíamos expressar os nossos sentimentos?
A formadora de Português, Cristiana Maceda